domingo, 17 de outubro de 2010

PASSO A PASSO DA RESENHA CRÍTICA

Na resenha crítica, há oito passos básicos a serem seguidos. São eles:
1.    Identifique a obra: coloque dados bibliográficos essenciais do livro (artigo, notícia, reportagem, filme) que se vai resenhar;
2.    Apresente o autor: escreva em pouquíssimas palavras um resumo sobre o autor: quantos livros já publicou, se vendeu muito, se é sua estréia como autor e o que mais você considerar interessante;
3.    Apresente a obra: forneça ao leitor, em poucas linhas, todo o conteúdo do texto a ser resenhado, como em uma sinopse (qual o tema tratado? Qual o problema discutido pelo autor? Qual a posição defendida pelo autor para a solução desse problema? Quais os argumentos centrais ou complementares utilizados pelo autor para defender sua posição?).  Tente enquadrar a obra – se for livro ou filme – em uma das escolas literárias (barroca, romântica, naturalista, realista, modernista ou contemporânea);
4.    Descreva a estrutura: escreva sobre a divisão em capítulos, sobre o foco narrativo – personagens, ambiente, tempo, narrador.
5.    Descreva o conteúdo dos capítulos: use até cinco parágrafos para resumir o conteúdo do livro.
6.    Analise de forma crítica: Nessa parte, e apenas nessa parte, você vai dar sua opinião. Argumente sua defesa ou sua ofensiva, contra ou a favor da obra, dando explicações convincentes sobre cada opinião. Tente usar a opinião de outros críticos sobre o assunto (para isso, você terá de pesquisar na internet. Para não ficar muito extenso, escreva mais ou menos assim: há quem afirme que o livro é maravilhoso, por isso, isso e isso. Há também aqueles que afirmam que ele possui problemas de coerência e verossimilhança. Prefiro vê-lo como...). A crítica (favorável ou contrária) não tem limites. Dê asas à sua imaginação, seja coerente e explique os motivos dos seus argumentos. Afinal, serão eles que farão com que o leitor se decida ou não por ler a obra resenhada.
7.    Recomende ou não a obra: Escreva a que público se destina a obra: a qual faixa etária, se vale a pena ler ou deixar na prateleira da livraria.
8.    Assine e identifique-se: Assine o seu próprio nome e, embaixo dele, escreva: Aluno do 2º ano do Ensino Médio.
            Bem, eu disse que eram oito passos básicos. Mas há mais.
            Como todo texto, imagine uma situação (um contexto de escrita). Imagine (e leve a sério) que iremos expor suas resenhas no pátio da escola, para promover o interesse dos colegas do colégio para a leitura. Portanto, tudo o que você escrever e da forma como você escrever será visto por todos os seus colegas. Sua responsabilidade, assim, é bastante grande. Se ficar mal escrito, cheio de erros ortográficos, sintáticos e de pontuação, todos saberão quem escreveu. Então, capriche!
            Vamos colocar em prática a teoria acima. Como eu prometi, vou resenhar o livro Crepúsculo.

PASSO 01:  Identifique a obra: coloque dados bibliográficos essenciais do livro (artigo, notícia, reportagem, filme) que se vai resenhar;

            Crepúsculo – título original Twilight – (Meyer, Stephenie. Crepúsculo. Editora Intrínseca:São Paulo, 2008. 1ª Ed. 416 pg, R$ 31,90) – é o primeiro livro de uma série sobre o mesmo tema: o amor entre uma humana e um ser fantástico. É o romance de estréia de Stephanie Meyer, sucesso absoluto de vendas. Ocupou o primeiro lugar na lista do New York Times, posição na qual permaneceu por mais de um ano. Em todo o mundo, vendeu 45 milhões de cópias, sendo 20 milhões em apenas três meses.
PASSO 02: Apresente o autor:
            Stephenie Meyer formou-se em literatura inglesa na Brigham Young University. Sobre este romance, ela afirma: "Sempre admirei a capacidade de alguns escritores de criar situações de fantasia impossíveis e depois acrescentar personagens que são tão profundamente humanos que suas perspectivas tornam a situação real. Espero que Crepúsculo proporcione a mesma experiência a seus leitores".
            A escritora mora com o marido e três filhos em Glendale, no Arizona. Enquanto acumula elogios diversos da crítica internacional, a escritora tem seu mérito por envolver (em massa) principalmente o público adolescente.  
PASSO 03: Apresente a obra
            Crepúsculo reúne os ingredientes dos grandes sucessos da literatura de massa: um enredo intrigante, personagens cativantes, cenários do cotidiano com um toque de mistério e uma narração simples e linear que, em alguns momentos é de tirar o fôlego. Resultado: o livro virou mania entre os adolescentes.
            O sucesso, porém, é rodeado de preconceito, rotulado até de "modinha". É, no entanto, um representante  da segunda geração do Romantismo, em que seres fantásticos, beirando a morte, seduzem humanos e tentam levá-los aos subterrâneos do além-vida.
            Escrito principalmente para adolescentes, o livro e a série podem muito bem agradar às demais faixas etárias, por seu enredo simples, linear e sobrenatural, com seres com sede de sangue. Nesse  romance fantástico, misto de realismo contemporâneo e histórias vampirescas,  tudo começa quando a jovem Bella está de mudança para a cidade de Forks, pois decide morar com seu pai, Charlie, o chefe de polícia da cidadezinha cheia de verde, muita chuva e neve. Tudo o que Bella mais detesta.
            É no refeitório da escola que passa a frequentar, ao conversar com sete estranhos, que Bella vê pela primeira vez os Cullen. Ao notar os rostos diferentes, "inumanamente" lindos e nomes incomuns (Edward, Emmet, Rosalie, Jasper e Alice), ela descobre que os filhos de Carlisle e Esme são distantes dos outros alunos.
            Edward, principalmente, parece nutrir uma raiva instantânea pela garota. Porém, na verdade, ele luta contra o desejo pelo (cheiro bom do) sangue de Bella. Já naquele instante, ele percebe que sente amor pela novata da escola. Edward a salva de um atropelamento e ambos começam um relacionamento estranho, envolto em ocultações, segredos e o desejo desenfreado de Bella pela presença daquele jovem misterioso.
            Ao descobrir os segredos de Edward, Bella apaixona-se ainda mais por quem deveria manter distância, mesmo sabendo que ele lhe pode tirar a vida. Em meio a muitas declarações de amor, os dois percebem a importância de suas famílias e descobrem a beleza de amar alguém pela primeira vez e o perigo que ronda o relacionamento entre seres tão díspares.
PASSO 04 – Apresente a estrutura da obra
            O livro está dividido em 24 capítulos e um epílogo com título um tanto infantil: “Um Acontecimento Especial”. Até o décimo quinto capítulo, a trama corre morna e só incendeia a partir daí.
PASSO 05 – Descreva o conteúdo dos capítulos
            Edward leva Bella em um passeio pela floresta, onde mostra todos os seus “poderes” de vampiro, e alguns outros segredos de Edward são revelados, como o desejo dele por beber o sangue dela. Um desejo tão irresistível quanto o amor que eles passam a sentir um pelo outro. Edward não era um vampiro comum, ele podia ler pensamentos, mas por algum motivo não conseguia fazer isso com Bella, enquanto sua irmã Alicie podia prever o futuro próximo, e seu outro irmão Jasper, podia controlar as emoções das pessoas ou do ambiente.  
            Quando Edward declara-se namorado de Bella, a leva para conhecer sua casa e o restante de sua família: Esme e Carlisle, os pais adotivos de Edward, e Rosalie e Emmet (que não gostavam muito de Bella), Jasper, e Alicie, que virou uma grande aliada de Bella.   Eles moravam numa grande casa branca, no meio da floresta.  
            Como havia agradado a quase todos os membros da família,  eles a para um jogo de beisebol na clareira da floresta (cap. 17), surpreendente e fora do normal. No entanto, no meio do jogo, três vampiros intrusos aparecem e identificam Bella como humana. Ai começa a caçada de um desses vampiros à Bella (cap.18),  enquanto os Cullen tentam protegê-la e a seu pai, Charlie.
            Alicie e Jasper levam Bella para sua cidade natal e ficam em um quarto de hotel (Cap. 19), enquanto o resto da família tentava encontrar James, o vampiro sádico que desejava matar Bella.  Ele contata a garota e finge estar com a mãe dela. Bella foge dos Cullen e, ao chegar ao local indicado, uma escola de balé, Bella descobre que tudo era um truque. O vampiro a tortura um pouco e morde sua mão. Edward chega (Cap. 23) e retira o veneno da mão de Bella, sugando seu sangue, que tanto desejou;  mas ele consegue parar a tempo de poupá-la da transformação e da morte, em nome do amor que sentia. 
            No último capitulo (epílogo),  depois de uma temporada no hospital, Edward leva Bella ao baile da escola, contra a vontade da jovem. Ao ficar a sós com o belo e irresistível vampiro, ela expressa o intenso desejo de que ele a transforme, mas Edward recusa veementemente. Bella senta-se no colo de Edward, e como diz a ultima linha do livro “enquanto ele se inclina para encostar os lábios frios mais uma vez em meu pescoço”, a saga não para por aí.

PASSO 06 – Analise de forma crítica
            Ao folhear as primeiras páginas do livro, descobre-se que não haverá outra opção a não ser lê-lo sem parar. Contudo, na necessidade de uma parada, o leitor continua sendo provocado a continuar a leitura. Também pudera, enquanto o livro está fechado, na cabeceira de sua cama, a "tentação" das mãos segurando uma maçã de um vermelho inebriante (que remetem a história de Adão e Eva e ao conto de "A Branca de Neve") convidam a um mergulho livre na incansável história de amor de Isabella Swan e de Edward Cullen.
            A autora afirma que se baseou em Orgulho e Preconceito, da inglesa Jane Austen., para escrever esse primeiro episódio da série. Comparações à parte, de longe quem sabe  haja algo austeniano em Crepúsculo, talvez o preconceito inicial de Bella em relação à condição de Edward. Fora isso, mais nada. Aliás, nem dá para comparar best sellers com a genuína literatura do início do século XVIII. Não se deve, principalmente. Crepúsculo pode e deve ser adorado pelo o que ele realmente é: literatura de massa para pura fruição. Se nos ativermos a isso, a análise pode ser bem mais justa do que se quisermos elevá-lo ao patamar de literatura clássica. Isso, ele realmente não é.
            Crepúsculo poderia ser como qualquer outra história romântica, não fosse um elemento irresistível: o objeto da paixão da protagonista é um vampiro. Assim, soma-se à paixão um perigo sobrenatural temperado com muito suspense. E o resultado é uma leitura de tirar o fôlego – um romance repleto das angústias e incertezas da juventude – o arrebatamento, a atração, a ansiedade que antecede cada palavra, cada gesto e todos os medos. Isabella Swan chega à nublada e chuvosa cidadezinha de Forks – último lugar onde gostaria de viver. O primeiro de muitos conflitos que enfrentará a nossa heroína adolescente. Nada muito diferente do que acontece na vida real com nossas jovens, capazes ainda de acreditarem que podem morrer de e por amor. A diferença é que nossos heróis não são vampiros, mas podem muito bem chegar perto de serem considerados inadequados e perigosos.
            Há quem idolatre a história e quem a repudie, principalmente por considerá-la uma prosa doentia ou pela falta de escrita de qualidade, mas principalmente pelas obras serem insultantes em todos os níveis — para uma mulher e para um adolescente. A crítica volta-se contra a um relacionamento possível entre uma jovem de 17 anos e cinco rapazes diferentes. Afirmam que isso poderia levar os corações ingênuos de nossas meninas a considerar um fato assim comum e banal. Bella, aliás, não é muito eficiente em afastá-los e se guardar apenas para Edward.
            Outra crítica comum, é que Bella representa uma heroína que dificilmente consegue dar um passo sem precisar de algum garoto para ajudá-la. Na verdade, a série apresenta visões sexistas, segundo seus detratores,  em sua quase totalidade — o fato de que  Bella desiste de suas ambições e planos para a faculdade com objetivo de casar-se com Edward; o fato de que ela é representada como uma Eva moderna, implorando por sexo ao nobre e moral cavalheiro, enquanto ele deseja preservar sua virgindade; o fato de seu relacionamento ser perigosamente doentio; e finalmente o fato de que quase todas as personagens femininas apresentadas no livro são caricaturas (será?) desesperançosamente negativas.
            Porém, como afirmei, se nos ativermos ao fato de o livro ser literatura de massa, apenas para fruição e não para julgamento literário, ele preenche bem a lacuna existente há muitos anos. Nossos adolescentes estão carentes de heróis e heroínas, ainda que sejam defeituosos. É divertido perceber nossos pré-adultos lendo um romance romântico sem perceber. Na escola, se você os obrigar a ler José de Alencar, Álvares de Azevedo e Machado de Assis, vão excomungá-lo até a sua última geração. Mas é possível que com Crepúsculo eles percebam a intertextualidade com o gênero do passado e queiram descobrir outros autores semelhantes (e, é claro, de muito maior qualidade!).
            Em um país como o nosso, em que livros são apenas para enfeitar estantes ou prateleiras de lojas especializadas, não é totalmente ruim que nossos adolescentes se sintam atraídos por leitura. Apenas precisam perceber que não é uma leitura de qualidade, mas um passa-tempo ou uma ponte para vôos maiores e melhores. Afinal, quem se submete a um calhamaço de 416 páginas, pode muito bem ler quatro livros nacionais, pois está qualificado como leitor.
            E por que parar apenas nos nacionais. Com essas mesmas características  há Edgar Allan Poe – mistério,  Jane Austen – crítica social e de costumes, Willian Shakespeare, Goethe, Victor Hugo, Almeida Garret, Camilo Castelo Branco entre tantos outros.
            Não importa muito por quem nossos jovens irão começar. O importante é que continuem se aprofundando, buscando conhecer melhor os verdadeiros criadores desse gênero literário.
PASSO 06 – Recomende ou não a obra       
            Por fim, recomendo a obra para nossos jovens e adolescentes e para aqueles que nunca se aproximaram de um livro. Comecem por este, por Harry Potter, pelo Senhor dos Anéis. Não importa. Comecem!

PASSO 07 – Identifique-se
Marilza Verni Reis
Graduada em Língua Portuguesa e Literaturas de língua portuguesa, professora do Ensino Médio em escola particular na cidade de Campo Verde, Mato Grosso.

PASSO 08 – Tem esse passo?
Tem. Colocar tudo em ordem, corrigir os erros, checar a pontuação e transformá-lo num único texto. Ah, não se esqueçam de colocar um título em sua resenha. Um bem legal! Meu texto final ficou assim:

Abaixo à tirania dos clássicos: que venha Crepúsculo!
Crepúsculo – título original Twilight – (Meyer, Stephenie. Crepúsculo. Editora Intrínseca:São Paulo, 2008. 1ª Ed. 416 pg, R$ 31,90) – é o primeiro livro de uma série sobre o mesmo tema: o amor entre uma humana e um ser fantástico. É o romance de estréia de Stephanie Meyer, sucesso absoluto de vendas. Ocupou o primeiro lugar na lista do New York Times, posição na qual permaneceu por mais de um ano. Em todo o mundo, vendeu 45 milhões de cópias, sendo 20 milhões em apenas três meses.
            Stephenie Meyer formou-se em literatura inglesa na Brigham Young University. Sobre este romance, ela afirma: "Sempre admirei a capacidade de alguns escritores de criar situações de fantasia impossíveis e depois acrescentar personagens que são tão profundamente humanos que suas perspectivas tornam a situação real. Espero que Crepúsculo proporcione a mesma experiência a seus leitores".
            A escritora mora com o marido e três filhos em Glendale, no Arizona. Enquanto acumula elogios diversos da crítica internacional, a escritora tem seu mérito por envolver (em massa) principalmente o público adolescente. 
            Crepúsculo reúne os ingredientes dos grandes sucessos da literatura de massa: um enredo intrigante, personagens cativantes, cenários do cotidiano com um toque de mistério e uma narração simples e linear que, em alguns momentos é de tirar o fôlego. Resultado: o livro virou mania entre os adolescentes.
            O sucesso, porém, é rodeado de preconceito, rotulado até de "modinha". É, no entanto, um representante  da segunda geração do Romantismo, em que seres fantásticos, beirando a morte, seduzem humanos e tentam levá-los aos subterrâneos do além-vida.
            Escrito principalmente para adolescentes, o livro e a série podem muito bem agradar às demais faixas etárias, por seu enredo simples, linear e sobrenatural, com seres com sede de sangue. Nesse  romance fantástico, misto de realismo contemporâneo e histórias vampirescas,  tudo começa quando a jovem Bella está de mudança para a cidade de Forks, pois decide morar com seu pai, Charlie, o chefe de polícia da cidadezinha cheia de verde, muita chuva e neve. Tudo o que Bella mais detesta.
            É no refeitório da escola que passa a frequentar, ao conversar com sete estranhos, que Bella vê pela primeira vez os Cullen. Ao notar os rostos diferentes, "inumanamente" lindos e nomes incomuns (Edward, Emmet, Rosalie, Jasper e Alice), ela descobre que os filhos de Carlisle e Esme são distantes dos outros alunos.
            Edward, principalmente, parece nutrir uma raiva instantânea pela garota. Porém, na verdade, ele luta contra o desejo pelo (cheiro bom do) sangue de Bella. Já naquele instante, ele percebe que sente amor pela novata da escola. Edward a salva de um atropelamento e ambos começam um relacionamento estranho, envolto em ocultações, segredos e o desejo desenfreado de Bella pela presença daquele jovem misterioso.
            Ao descobrir os segredos de Edward, Bella apaixona-se ainda mais por quem deveria manter distância, mesmo sabendo que ele lhe pode tirar a vida. Em meio a muitas declarações de amor, os dois percebem a importância de suas famílias e descobrem a beleza de amar alguém pela primeira vez e o perigo que ronda o relacionamento entre seres tão díspares.
            O livro está dividido em 24 capítulos e um epílogo com título um tanto infantil: “Um Acontecimento Especial”. Até o décimo quinto capítulo, a trama corre morna e só incendeia a partir daí.
            Edward leva Bella em um passeio pela floresta, onde mostra todos os seus “poderes” de vampiro, e alguns outros segredos de Edward são revelados, como o desejo dele por beber o sangue dela. Um desejo tão irresistível quanto o amor que eles passam a sentir um pelo outro. Edward não era um vampiro comum, ele podia ler pensamentos, mas por algum motivo não conseguia fazer isso com Bella, enquanto sua irmã Alicie podia prever o futuro próximo, e seu outro irmão Jasper, podia controlar as emoções das pessoas ou do ambiente.  
            Quando Edward declara-se namorado de Bella, a leva para conhecer sua casa e o restante de sua família: Esme e Carlisle, os pais adotivos de Edward, e Rosalie e Emmet (que não gostavam muito de Bella), Jasper, e Alicie, que virou uma grande aliada de Bella.   Eles moravam numa grande casa branca, no meio da floresta.  
            Como havia agradado a quase todos os membros da família,  eles a para um jogo de beisebol na clareira da floresta (cap. 17), surpreendente e fora do normal. No entanto, no meio do jogo, três vampiros intrusos aparecem e identificam Bella como humana. Ai começa a caçada de um desses vampiros à Bella (cap.18),  enquanto os Cullen tentam protegê-la e a seu pai, Charlie.
            Alicie e Jasper levam Bella para sua cidade natal e ficam em um quarto de hotel (Cap. 19), enquanto o resto da família tentava encontrar James, o vampiro sádico que desejava matar Bella.  Ele contata a garota e finge estar com a mãe dela. Bella foge dos Cullen e, ao chegar ao local indicado, uma escola de balé, Bella descobre que tudo era um truque. O vampiro a tortura um pouco e morde sua mão. Edward chega (Cap. 23) e retira o veneno da mão de Bella, sugando seu sangue, que tanto desejou;  mas ele consegue parar a tempo de poupá-la da transformação e da morte, em nome do amor que sentia. 
            No último capitulo (epílogo),  depois de uma temporada no hospital, Edward leva Bella ao baile da escola, contra a vontade da jovem. Ao ficar a sós com o belo e irresistível vampiro, ela expressa o intenso desejo de que ele a transforme, mas Edward recusa veementemente. Bella senta-se no colo de Edward, e como diz a ultima linha do livro “enquanto ele se inclina para encostar os lábios frios mais uma vez em meu pescoço”, a saga não para por aí.
            Ao folhear as primeiras páginas do livro, descobre-se que não haverá outra opção a não ser lê-lo sem parar. Contudo, na necessidade de uma parada, o leitor continua sendo provocado a continuar a leitura. Também pudera, enquanto o livro está fechado, na cabeceira de sua cama, a "tentação" das mãos segurando uma maçã de um vermelho inebriante (que remetem a história de Adão e Eva e ao conto de "A Branca de Neve") convidam a um mergulho livre na incansável história de amor de Isabella Swan e de Edward Cullen.
            A autora afirma que se baseou em Orgulho e Preconceito, da inglesa Jane Austen., para escrever esse primeiro episódio da série. Comparações à parte, de longe quem sabe  haja algo austeniano em Crepúsculo, talvez o preconceito inicial de Bella em relação à condição de Edward. Fora isso, mais nada. Aliás, nem dá para comparar best sellers com a genuína literatura do início do século XVIII. Não se deve, principalmente. Crepúsculo pode e deve ser adorado pelo o que ele realmente é: literatura de massa para pura fruição. Se nos ativermos a isso, a análise pode ser bem mais justa do que se quisermos elevá-lo ao patamar de literatura clássica. Isso, ele realmente não é.
            Crepúsculo poderia ser como qualquer outra história romântica, não fosse um elemento irresistível: o objeto da paixão da protagonista é um vampiro. Assim, soma-se à paixão um perigo sobrenatural temperado com muito suspense. E o resultado é uma leitura de tirar o fôlego – um romance repleto das angústias e incertezas da juventude – o arrebatamento, a atração, a ansiedade que antecede cada palavra, cada gesto e todos os medos. Isabella Swan chega à nublada e chuvosa cidadezinha de Forks – último lugar onde gostaria de viver. O primeiro de muitos conflitos que enfrentará a nossa heroína adolescente. Nada muito diferente do que acontece na vida real com nossas jovens, capazes ainda de acreditarem que podem morrer de e por amor. A diferença é que nossos heróis não são vampiros, mas podem muito bem chegar perto de serem considerados inadequados e perigosos.
            Há quem idolatre a história e quem a repudie, principalmente por considerá-la uma prosa doentia ou pela falta de escrita de qualidade, mas principalmente pelas obras serem insultantes em todos os níveis — para uma mulher e para um adolescente. A crítica volta-se contra a um relacionamento possível entre uma jovem de 17 anos e cinco rapazes diferentes. Afirmam que isso poderia levar os corações ingênuos de nossas meninas a considerar um fato assim comum e banal. Bella, aliás, não é muito eficiente em afastá-los e se guardar apenas para Edward.
            Outra crítica comum, é que Bella representa uma heroína que dificilmente consegue dar um passo sem precisar de algum garoto para ajudá-la. Na verdade, a série apresenta visões sexistas, segundo seus detratores,  em sua quase totalidade — o fato de que  Bella desiste de suas ambições e planos para a faculdade com objetivo de casar-se com Edward; o fato de que ela é representada como uma Eva moderna, implorando por sexo ao nobre e moral cavalheiro, enquanto ele deseja preservar sua virgindade; o fato de seu relacionamento ser perigosamente doentio; e finalmente o fato de que quase todas as personagens femininas apresentadas no livro são caricaturas (será?) desesperançosamente negativas.
            Porém, como afirmei, se nos ativermos ao fato de o livro ser literatura de massa, apenas para fruição e não para julgamento literário, ele preenche bem a lacuna existente há muitos anos. Nossos adolescentes estão carentes de heróis e heroínas, ainda que sejam defeituosos. É divertido perceber nossos pré-adultos lendo um romance romântico sem perceber. Na escola, se você os obrigar a ler José de Alencar, Álvares de Azevedo e Machado de Assis, vão excomungá-lo até a sua última geração. Mas é possível que com Crepúsculo eles percebam a intertextualidade com o gênero do passado e queiram descobrir outros autores semelhantes (e, é claro, de muito maior qualidade!).
            Em um país como o nosso, em que livros são apenas para enfeitar estantes ou prateleiras de lojas especializadas, não é totalmente ruim que nossos adolescentes se sintam atraídos por leitura. Apenas precisam perceber que não é uma leitura de qualidade, mas um passa-tempo ou uma ponte para vôos maiores e melhores. Afinal, quem se submete a um calhamaço de 416 páginas, pode muito bem ler quatro livros nacionais, pois está qualificado como leitor.
            E por que parar apenas nos nacionais. Com essas mesmas características  há Edgar Allan Poe – mistério,  Jane Austen – crítica social e de costumes, Willian Shakespeare, Goethe, Victor Hugo, Almeida Garret, Camilo Castelo Branco entre tantos outros.
            Não importa muito por quem nossos jovens irão começar. O importante é que continuem se aprofundando, buscando conhecer melhor os verdadeiros criadores desse gênero literário.
            Por fim, recomendo a obra para nossos jovens e adolescentes e para aqueles que nunca se aproximaram de um livro. Comecem por este, por Harry Potter, pelo Senhor dos Anéis. Não importa. Comecem!

Marilza Verni Reis
Graduada em Língua Portuguesa e Literaturas de língua portuguesa,
professora do Ensino Médio em escola particular na cidade de
Campo Verde, Mato Grosso.

Bom, é isso! Espero que ajude vocês nos seus próprios trabalhos. Qualquer dúvida, me mandem e-mail que eu respondo.

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